ORGANIZAÇÃO E REVISÃO: RAQUEL DIAS DA SILVA | EDITORIAL: SÓNIA COSTA | TEXTOS: RAQUEL DIAS DA SILVA, RITA TEIXEIRA E SÓNIA COSTA.

EDITORIAL
Bem-vindos ao último Miolo de 2025, papos-secos e vianinhas!
Quem são vocês nesta recta final do ano? Um pão duro de anteontem ou um cacetinho pronto a sair do forno? Sejam quem forem, aceitamos toda a gente – mesmo os celíacos.
Este mês temos aqui uma bela edição especial preparada para todos vós, apta até para intolerantes ao glúten – só não está a salvo quem não se dá bem com a lactose, porque a Raquel fala de gelados.
Para o Miolo, este foi o ano que marcou o nosso regresso: um ano curto em edições, mas nada escasso em recomendações, desrecomendações e aventuras! (Ou não se lembram de quando a Rita falou do álbum novo da Taylor Swift? Ou de quando eu vos contei que acabei de escrever o meu primeiro livro? Ou de quando a Raquel… Ah… TEVE UMA CRIANÇA?!?!!)
Além do nascimento da Teresa, um prodígio de menina, temos outro bebé a reportar: o Miolo evoluiu e saltita agora entre plataformas em formato de podcast! Nasceu assim o Mil Folhas, uma conversa mensal sobre livros. Ainda está a dar os primeiros passos, mas já soma risos, choros, opiniões fortes, debates, críticas, reviews que ninguém pediu e irritações-abacate (uma rubrica dedicada às nossas fúriazinhas literárias de primeiro mundo).
E olhem: só não chamo Bolo-Rei a esta edição do Miolo porque a Raquel prefere filhoses e a Rita só aceita o Natal se houver torta de chocolate à mesa. Porque se fosse por mim, não havia hesitações – venham as frutas cristalizadas.
Sempre concordando em discordar, aqui estamos para a contagem decrescente: passas prontas, champanhe (sem álcool, para quem amamenta!), muita amizade, livros dos bons e o próximo ano no horizonte, estamos prontas para saborear tudo!
CÔDEA DA RAQUEL
Fazer balanços é comigo. Todos os meses escrevo um Fecho de Edição para a minha newsletter Canto da Sereia. O de Novembro já está no ar, por isso trago-vos, por um lado, os meus favoritos do ano – até porque este é o último Miolo de 2025 – e, por outro, sugestões de coisas que deviam fazer em Dezembro, para acabarem o ano em bom. Se forem primos do Grinch, há desrecomendações no final. Aqui ninguém é mal servido.
FAVORITOS DO ANO
Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha, de Tati Bernardi. Foi o último livro que li grávida e mexeu muito comigo. A Tati tem um sentido de humor maravilhoso e eu relacionei-me com imensas situações descritas neste livro.
Silo. É das minhas séries de ficção-científica preferidas. Se nunca viram, talvez o trailer da 1.ª vos abra o apetite. Está disponível na Apple, que é a minha plataforma de streaming favorita.
Good Company. Visitei esta livraria pela primeira vez em Fevereiro, ainda antes da minha filha nascer, e, apesar de não lá ir tantas vezes quanto gostaria, vou lá sempre que consigo. Quando vou à Colour Square comprar presentes, por exemplo, aproveito sempre para passar pela Good Company na ida ou na vinda.
Kobo. Eu sabia que ser mãe ia impactar muito os meus hábitos de leitura, mas ler no Kobo ajuda imenso. Recomendo mesmo a toda a gente numa fase de vida tão difícil como a maternidade. E, para dizer a verdade, a qualquer leitor ávido.
Ferry Gold. A Garota Não fez parte do meu ano do início ao fim. Foi a artista que mais ouvi em 2025 e este álbum tem algumas das minhas canções favoritas do ano, como “Este país não é para mães”.
Gelados da Brera. Foi a esta gelataria em trabalho e acabei a comprar uma caixa de três sabores (são todos tão saborosos que foi mesmo difícil escolher quais). Hei-de lá ir no início de 2026 para começar o ano em bom.
Os Green na Cidade Grande. Descobrimos esta série de animação por acaso, a fazer zapping num dia em que estávamos desesperados a tentar que a Teresa se acalmasse e sucumbimos à tentação de tentar distraí-la com a televisão. Felizmente, ela não quis (nem quer) saber de ecrãs para nada, mas quando for mais velha, vou mostrar-lhe os Green, porque tenho a certeza que ela haverá de se rir tanto quanto eu.
Este Dezembro, deviam:
Ir ao teatro – ver Prometo-me Moderna, de Alice Azevedo, por exemplo. Eu já comprei o meu bilhete (vou a 19 de Dezembro, se alguém quiser fazer tertúlia no final);
Comprar um livro – como a estreia da minha amiga Maria Duran Marques, o primeiro livro editado pela Crosta ou o mais recente lançamento com a chancela da Limoeiro Real, fundada pela Inês Viegas Oliveira, que ilustra a capa e também anda por aqui no Substack;
Beber um chocolate quente – a Raro Cacau, que abriu a 700 metros de minha casa, tem chocolate quente a sério. Não, não é pó de cacau dissolvido em leite ou água, é chocolate derretido, espesso e cremoso.
DESRECOMENDAÇÕES
O Governo. O Montenegro é uma nódoa, os seus lacaios idem, e estamos todos fartos de ganhar mal e não ter dinheiro para uma habitação.
CÔDEA DA RITA
Ahhh Dezembro… o Natal, prendas, ferrero rochers… e a sinusite e a rinite a competirem no grande prémio de “Vamos Entupir o Nariz da Rita 2025”. Estou a escrever isto a tarde e a más horas porque passei a semana constipada e ainda estou com falta de oxigenação no cérebro e ainda para mais, li apenas um grande total de um livro em Novembro (e nem sequer posso dizer que foi um grande clássico da literatura).
Não que não tenha gostado do livro em questão: Bury Our Bones in the Midnight Soil, da V.E. Schwab, ao qual dei umas sólidas 4 estrelas. Gostava de vos contar o que achei em mais detalhe mas estou a obrigar a Sónia a ler (a Raquel está quase a terminar) e não quero fazer spoilers portanto parece que vão ter que ouvir o episódio do Mil-Folhas em que falarmos deste livro (se tudo correr bem, é o primeiro de Janeiro, lá para dia 11. Para já, digo apenas que o livro me conseguiu surpreender pelo menos três vezes e fiquei fã da personagem mais moralmente dúbia.
Mas por falar em Mil-Folhas, se ouviram o episódio de Novembro em que falámos das vibes outonais, saberão que a Sónia é contra – pelo que assim que acabámos de gravar o tal episódio, eu cliquei play na minha rewatch outonal de Gilmore Girls enquanto a vela caríssima de caramelo salgado da Zara Home ardia. É outra excelente série para ter no background enquanto faço outras coisas, apesar de ser chato ter que passar pelos episódios do Dean até finalmente chegarmos ao Jess. Sim, sou Team Jess – lidem! (Entretanto chegámos ao Logan e, enquanto escrevo, a Rory está prestes a desistir da faculdade porque pela primeira vez na vida alguém lhe disse que ela não é a estrelinha brilhante mais especial do céu).
A outra grande highlight televisiva da época foi a nova temporada de Selling Sunset. E caros leitores, se tivessem dúvidas da minha falta de snobismo, ficarão já esclarecidos. Selling Sunset é uma obra-prima da reality tv. Imaginem: mansões em Beverly Hills, agentes imobiliárias vestidas de Versace dos pés à cabeça, uma festa em que se oferece botox de salmão aos convidados, alguém que é triggered por um ramo de flores. As minhas palavras não podem fazer jus à loucura desta composição de lunáticos.
Por outro lado, e para trazer de volta o tal snobismo (não consigo competir com a Sónia e a Raquel na literatura, mas acho que ganho no que toca ao cinema), tenho imensos filmes que quero ver mas infelizmente a maior parte deles só deve sair nos cinemas deste país lá para Março. Uma pessoa quer ver Sentimental Value? Não pode. Hamnet? Não há. Marty Supreme? Nem por isso. Die My Love? Nope. Diria que estes são problemas de primeiro mundo, mas se eu estivesse realmente nesse tal primeiro mundo, então devia poder ir ver qualquer um destes filmes ao cinema hoje mesmo.
Mas Wicked Part 2? Aliás, Wicked For Good? Isso já temos. Mas de “Good” tem muito pouco: as vozes da Cynthia e da Ariana, a cara e os braços do Jonathan Bailey, e acho que é isso. É possível que o realizador John M. Chu deva ser julgado por crimes contra o cinema – especificamente pela realização em duas das minhas músicas favoritas, “No Good Deed” e “As Long As You’re Mine”.
Mais alguém vai ver o Avatar: Fire and Ash especificamente para ver o trailer da Odisseia do Nolan ou só mesmo eu? (E se aparecer o trailer do Sunrise on the Reaping também, dou logo 5 estrelas).
Sim, estamos a chegar à minha season favorita: awards! Sim, sou aquela pessoa que adora ver os Oscars, e os Globos, e os SAGs, e os BAFTAS e… enfim. Gosto de prever quem vai ganhar, reclamar com quem de facto ganha (por exemplo, não é aceitável que ainda não tenham dado um Oscar à Amy Adams pela sua actuação em Arrival - qualquer ano desde 2016 teria sido um bom ano para fazer isso acontecer).
Noutras notícias, acho que a Taylor comprou os resultados do Spotify Wrapped. Não há outra explicação para Life of a Showgirl aparecer no meu top de álbuns. “Evermore”, “Red”, ou “Reputation” faz todo o sentido. Até o “Torchy P.” aceito porque tive aquele período depressivo no Verão. Mas ainda estou irritada pela existência de músicas tipo “Eldest Daughter” e “Wood”.
É possível que este seja o Miolo mais divagante (divagante é uma palavra? Será divagador?) que já escrevi. Olhem, nem sei. Estou mais pra lá do para cá com este 2025. Na verdade, bem pode ir andando que não nos demos bem.
Mas para acabar numa nota mais doce, ficam (aqui algures onde a Raquel os colocar) os screenshots do meu wrapped literário da app Fable (que passei a utilizar este ano; muito mais aesthetic que o Goodreads). 60 livros lidos até é de me gabar. E não, não interessa quantos desses 60 foram sobre fadas eróticas!! (foram só 3, 4 se contarmos com dragões).






CÔDEA DA SÓNIA
Nem sei bem o que se passou com Novembro, olhem. Acho que se esgrimiu assim de fininho, meio camuflado e sem grandes marcos a assinalar - tirando, claro, a tempestade Cláudia. Não sei quem chateou a Cláudia, mas coisa boa não fez.
Estou a ler mais nestes últimos meses de 2025 do que no resto do ano inteiro. Acabei dois livros da Agatha Christie (O Mistério no Comboio Azul e Morte na Praia) e claro, o elefante russo na sala, Anna Karenina.
Confirmo que não estou a ficar melhor a tentar decifrar antes do final os mistérios dos livros do Poirot. Sempre que penso que descobri a fórmula resolvente, ela tece ali um crochet de peripécias e deixa-me de queixo à banda. Este ano li cinco, para o ano já tenho mais uns quantos planeados. Se continuar com esta velocidade, lá para quando me reformar acabo a bibliografia completa da Agatha. Isto se o governo não aumentar a idade da reforma para os oitenta, entretanto. Aí as cataratas já não me vão deixar ler nem policiais nem as letras pequeninas do pacote laboral. Adiante!
Depois de virar a página 900 desta bíblia de Tolstoi, senti um friozinho no cérebro só comparável ao que Levine e Kitty sentiam enquanto patinavam juntos no lago gelado de Moscovo. Como vou viver sem estes personagens que me acompanharam durante meses? Sem o playboy Vronski a triunfar todas as semanas num novo hobbie? Sem o Stepan a galar cada bailarina francesa que se lhe atravessa à frente? Sem o Alex Alex a ser chatarrão e agora também babysitter de bastardos? Sem o Levine a saltitar entre querer lavrar a terra e querer lavrar a mulher? Uma miséria.
A minha veia de romântica incurável (aquela que fica toda maluca com os poemas do Pablo Neruda) fez-me acreditar, durante algumas páginas, que os meus protagonistas favoritos podiam acabar juntos. Fazia sentido! Afinal só se conheceram ali pelas últimas cinquenta páginas, era só dar sumiço ao Vronski e matar a Kitty no parto… O Tolstói deu-me um gostinho desse bombom mas arrancou-mo logo das mãos. Por instantes fui feliz e realizada. Depois a Kitty pariu e o Levine voltou à sua vidinha doméstica. Se fosse a Agatha Christie a pegar nestas últimas páginas, podia ter sido tudo muito diferente. (Alguém aí para escrever fanfic de Anna Karenina? É para um amigo).
Como boa menina formada na escola do HI5, vou fazer vários tops (se não conhecerem a referência, podem sair imediatamente porque com toda a certeza são menores de idade e o que aí vem não é para vós, além disso ofende-me um pouco a vossa juventude ok?).
Top de personagens
Atticus Finch
Konstantin Dmitrievich Levin (vulgo Levine)
Anna Karenina
Poirot
Senhora do café do Continente que me chama sempre Princesa e já sabe o meu pedido de cor
Finalistas para Grande Prémio Anual “Palhaço do Ano”
Luís Montenegro e companhia
André Ventura e rebanho
Gustavo Santos
Anjos
Aquele dermatologista do Santa Maria que fez 40 mil euros num dia a tirar 3 verrugas
Top de acontecimentos do ano
Nascimento de Teresinha
Apagão
Stranger Things a lançar nova temporada 173946 anos depois e com os actores já perto da reforma
Guns n’Roses no Estádio de Coimbra
André Ventura bolsa em directo e vai parar ao hospital de onde sai com um pensinho infantil mas muito combalido
Top de comidas
Croquetes do restaurante Fogo;
Croissants de Rafaello do Trigo d’Aldeia;
Arrufadas do café do Zé;
Os novos cajus sabor barbecue do Lidl;
Broa de milho da Praça da Fruta.
Top de coisas que mais gostei de escrever
Todas as newsletters da Miolo;
Carta para a Teresinha quando tiver idade para ler (que vai ser ali por volta dos três anos, atendendo ao carácter prodigioso da nossa menina);
A Oeste tudo de novo, sobre crescer ao pé coxinho entre o campo e a cidade;
Chiça Penico, um texto com pimenta na língua;
Uma casa onde pousar o caderninho, sobre as casas por onde passei.
Top de coisas absurdas que foram ditas
Ministro Adjunto e da coesão territorial a ensinar em horário nobre a gamar gasóleo dos carros do Ministério (através da complexa técnica de chupar por uma mangueira, popularizada pela plebe) para poder alimentar geradores de maternidades no apagão;
Rita Matias a enumerar nomes de crianças inscritas no primeiro ciclo;
Tudo o que foi proferido por Pedro Frazão e Rodrigo Taxa;
Vários singles de André Ventura (incluído os hits “3 Salazares” e “Isto não é o Bangladesh”);
Gustavo Santos acusa vacina do Covid de atentar contra vida de Nuno Markl;
Numeiro afirma que namorada sua não sai à noite sozinha.
DESRECOMENDAÇÕES
As minhas desrecomendações fortíssimas vão para:
Parir neste país (os meus parabéns à Raquel, a nossa super heroína);
Votar na Direita;
Ler livros da Maria Francisca Gama;
Saltar o pequeno-almoço;
E dar ouvidos a influencers.
Depois não digam que eu não vos avisei, amizades panificadoras. Ho Ho Ho!
Chegámos ao fim do oitavo Miolo. Se chegaste até aqui (mesmo que tenhas saltado parágrafos ou revirado os olhos ou bocejado uma vez ou outra), estamos mesmo muito agradecidas. Esperamos ter-te cá de volta, em 2026.
Esta é a Miolo,
uma newsletter mensal para transformar domingos preguiçosos (ou, melhor, o segundo domingo de cada mês) num banquete de artes e letras. Pensa em nós como aquelas amigas que sabem sempre onde estão a acontecer os eventos culturais mais fixes, têm as melhores recomendações ou reclamações de livros e não perdem uma estreia no pequeno ou no grande ecrã.











Há quem prefira o Pão mal assado … eu sempre escolhi a Côdea!! Talvez pela textura ser Dura, mais forte, consistente e protetora!
Mas Miolo bem temperado dá uma ótima açorda 😅 umas migas 😅 umas torradas mais finas, uns crutons ou frito numas belas rabanadas!🥖🥖 🍞
Pão caseiro
Pão de leite
Broa de milho
Parabénssss 👏🏼👏🏼👏🏼
Hohoho
Ginglle breads
🎄 🎄 🎄